Conferência Episcopal de Angola e São Tomé

Uije

 

Uije

Bispo: Dom Emílio Sumbelelo

Titular da Sé Catedral: Nossa Senhora da Conceição
Festividade: 8 de Dezembro
Aniversário da Ordenação Episcopal do Prelado: 25 de Março 
Endereço: Cx.P. 239 – Uíje Telef.(244-33) 22650 / 22378
E-mail: [email protected] [email protected]

 

 
Título da Sé Catedral: Nossa Senhora da Conceição (Festividade:8 de Dezembro)
 
Data de erecção: 14 de Março de 1967
 
Superfície:    64 467 Km2
Habitantes:         380.000
Católicos:           699.834
Paróquias:                  20
Missões:                      5
Sac. dioc.:                  40
Religiosos:                 23
Religiosas:                 74
INTRODUÇÃO
I.             BREVE HISTÓRIA DA DIOCESE DO UÍJE
         A Diocese de Uíje criada foi em 14 de Março de 1967, com o título de “Diocese de Carmona e São Salvador”, tomando a designação de “Uíje e S. Salvador” em 1979. Posteriormente, em 8 de Dezembro de 1984, com o desmembramento que deu origem à criação da Diocese de Mbanza Congo, ficou com a denominação actual. Situada no antigo reino do Congo, onde surgiu e floresceu a primeira diocese desta zona de África – a “Diocese de Congo” (1596) - , com a sede em Mbanza Congo (ex-São Salvador), a Diocese do Uíje foi a herdeira de uma longo e notável história, impregnada de heroísmo e repleta de vicissitude. O primeiro bispo da Diocese foi Dom Francisco de Mata Mourisca, tendo passado o destino da mesma, aos 03 de Fevereiro de 2008, ao Dom Emílio Sumbelelo. Em 08/12/1984, a Diocese do Uíje foi desmembrada: a Vigararia de Mbanza Congo, cujo território coincide com o da Província do Zaire, foi elevado à categoria de Diocese, com o título da sua velha sede episcopal: Mbanza Congo.
Contactos:
a.     Caixa Postal nº 23
 
II.       OS BISPOS DA DIOCESE
1.      BISPO DIOCESANO: Dom Emílio Sumbelelo
DOM EMÍLIO SUMBELELO, nasceu aos 05 de Março de 1964 em Cubal, província de Benguela. No dia 04 de Agosto de 1991 foi ordenado presbítero em Benguela
Nos anos 1993 – 1995, em Roma obteve o grau de Licenciatura em Direito Canónico, na Faculdade de Direito Canónico pela Pontifícias Universitas Urbaniana. Aos 15 de Outubro de 1995 regressa à Diocese e aos 12 de Novembro do mesmo ano é nomeado Pároco da Paróquia de Santa Cruz do Lobito (cargo que exerceu até o ano de 1999), Vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico da Diocese, Director da Escola de Catequistas – Evangelistas “São Pedro Canísio” e Professor de Direito Canónico no Seminário Maior de Teologia do Bom Pastor de Benguela. Aos 18 de Agosto de 2002 é nomeado Assistente Eclesiástico da recente Associação de Juristas Católicos em Benguela. Exerceu também as tarefas de Coordenador da Comissão Diocesana de Justiça e Paz e Migrações (de 1995 até 2004).         
No dia 30 de Março de 2006 obteve o grau Doutoramento em Direito Canónico pela Pontifícias Universitas Urbaniana. No 15 Novembro de 2006 regressou à Diocese de Benguela e A 1 de Dezembro de 2006, Sua Santidade Papa BENTO XVI nomeou-o Bispo Coadjutor da Diocese do Uije; ordenado a 25 de Março de 2007 e a 03 de Fevereiro de 2008 é elevado a Bispo Diocesano.
 
2.      BISPO EMÉRITO: Dom Francisco da Mata Mourisca
Dom Francisco de Mata Mourisca (registado no “Anuário Pontifício” com o nome civil de – José Moreira dos Santos) nasceu em Mata Mourisca, diocese de Coimbra, a 12 de Outubro de 1928. Professou na Ordem Capuchinha e foi ordenado Sacerdote a 20 de Janeiro de 1952. Licenciou-se em teologia, em 1957, pela Universidade de Salamanga (Espanha). Exerceu diversos cargos de responsabilidade na Província Portuguesa dos Padres Capuchinhos, culminando com o de Provincial, em que se encontrava ao ser indigitado para Bispo de Uíje. Nomeado a 14 de Março de 1967, recebeu a ordenação episcopal a 30 de Abril de 1967. É autor de larga produção literária e doutrinal. 
 
III.            ORGANIZAÇÃO DA DIOCESE
1.    CÚRIA DIOCESANA
1.1.           Vigário Geral
Rev.do Sr. Pe. Luzizila Kiala
Caixa Postal nº 239 Sé Catedral
1.2.           Secretaria Geral da Cúria
a.    Chanceler da Cúria:
Pe. Abílio Kudikeka Ngunza
b.    Arquivista da Cúria
Ir. Laurinda Kuvonga
Caixa Postal nº 239 – Cúria Diocesana
E-mail: o mesmo da Cúria
1.3.           Assuntos Administrativos Especiais
a.    Delegado das Escolas Católica
Ir. Adelina Amélia Morais Afonso
b.    Delegado para os Assuntos Públicos
Pe. Abílio Ngunza Kudikeka, Chanceler da Cúria
1.4.           Administração Diocesana
a.    Ecónomo Diocesano
Pe. Tomás Manuel
b.    Contabilista
Ir. Cristina Manuel dos Santos
 

 

PASTA DAS HOMILIAS MAIS IMPORTANTES:

Exaltação da Santa Cruz (14 de Setembro de 2008)

1.         Seja-me permitido começar a minha brevíssima homilia com este belo verso: «Cruz fiel e redentora; Árvore nobre, gloriosa. Nenhuma outra nos deu tal ramagem, flor e fruto». É o cântico pascal da Sexta-feira Santa que se entoa, enquanto os fiéis vão fazendo a adoração da Santa Cruz!

            Esta saudação hoje torna-se Festa, uma Exaltação e um Louvor que se dirige Aquele que humilhando-se por nossa causa, se fez obediente até à morte e morte de Cruz (cf. Fil 2, 1ss); é um louvor e agradecimento que os cristãos tributam ao seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Deus, Seu Pai e nosso Pai, exaltou-O para que todo o joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos; e toda a língua cante, proclame e louve a Jesus, Senhor e Salvador.

            Irmãos caríssimos, hoje celebramos a glória de Deus Pai, a nossa libertação e o grande evento salvífico que chamamos: redenção, salvação e resgate do pecado. E esta Festa quando é bem compreendida na sua profundidade teológica e espiritual, espontaneamente leva-nos este pensamento salutar: “também nós estamos indissoluvelmente ligados à cruz, ao sofrimento fruto do pecado; também nós um dia seremos exaltados com Cristo porque fomos salvos pelo Seu sangue derramado na Cruz e, por isso mesmo, somos também candidatos à ressurreição com Cristo.”

 

2.         A Cruz era o instrumento de suplício, típico do direito penal romano; era reservada para a condenação dos escravos insubmissos e dos criminosos; portanto era sinal de vergonha e de ignomínia. Depois da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o madeiro, a Cruz tornou-se sinal de vitória definitiva sobre o pecado e a morte; tornou árvore da vida. A Cruz tornou-se sinal de amor de Deus para com os homens pecadores: «Deus amou de tal modo o mondo que lhe deu o seu Filho Unigénito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna», diz Jesus a Nicodemos. A Cruz é o arco-íris com o qual Deus liga o Céu à Terra.

            O trono a que Jesus quer ser elevado, para triunfar sobre a soberba e o pecado, é a Cruz, selo de infâmia para Ele, mas sede de misericórdia para nós. Nesse trono sentaram-no um dia os judeus por malícia, e nele se senta cada dia a fé cristã, que no Crucifixo adora o seu Deus e Redentor.

            Na Biblioteca Vaticana conserva-se uma antiga cruz de ouro, na qual está gravada esta inscrição: «Crux est vita mihi; mors inimice tibi = a Cruz é vida para mim e morte para ti, ó inimigo». Que profunda e formosa frase é esta! Ela recorda-nos também uma outra usada pelos beneditinos: «Crux sancta sit mihi lux; numquam Daemon sit mihi dux = ó Cruz Santa seja para mim luz e o demónio nunca seja meu guia».

 

3.         Ao celebrarmos hoje esta Festa do grande amor de Deus para com o mundo, como escutamos no Evangelho de S. João, também queremos ter bem presente, diante de nós e no nosso coração, que os “dois braços da Cruz” sobre os quais estava pendido o Corpo de Nosso Senhor Jesus, são: um, braço de amor e o outro, braço de dor.

            Olhando para a Cruz, cada um de nós é irresistivelmente obrigado a ler nela a verdade da sua própria existência, feita de esperanças e de alegrias, mas também acompanhada de angústias e de tristezas. Com ou sem vontade, querendo ou não, a Cruz é uma componente da nossa vida, acompanha-nos sempre!

            Um certo dia, dizia-se uma pessoa: «Padre, não compreendo a razão pela qual Deus, que é Amor Infinito, que nos deu o grande dom da vida e nos criou para a felicidade, as vezes faz-nos passar pela dor e pela cruz diária; quase anula essa felicidade. As vezes, tenho a tentação de duvidar do Seu amor!» Quantas perguntas, como essas os homens se fazem hoje! Com a Festa da Exaltação da Cruz, Jesus responde às nossas perguntas sobre o sofrimento e sobre a dor: «Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também tem de ser levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna» (Jo 3, 14-15).

            Destas palavras de Jesus resplandece a razão da cruz, do sofrimento. São os dois braços da cruz: o amor e a dor! São inseparáveis: uma dor sem amor é um inferno. Também não existe um amor que não se torna sacrifício para a pessoa amada. Aquele que ama verdadeiramente sabe que a dor é o sal da vida, é a luz da vida.

Só assim se pode explicar a coragem e a fé profunda de tantos e tantos irmãos doentes que sofrem com serenidade e sempre com um sorriso no rosto.

            Certo dia ia eu levar a comunhão a uma senhora doente, que há 50 anos jazia no leito, tinha tido problemas com um dos anéis da coluna vertebral. Depois de receber a comunhão sorrindo, com aquele sorriso raro nos olhos dos homens, dizia-me: «Sabe Padre, considero esta minha cama como o altar idêntico àquele sobre o qual o senhor Padre celebra todos os dias a Missa. E é belo sentir-se unida a este meu altar, com os pés e as mãos pregados sobre a cama, unindo-se sempre a Jesus. A minha vida sobre este altar parece-me ser uma Missa contínua para tantos e tantas que sofrem sem amor. Tenho também a sensação de que os meus pés assim pregados e as minhas mãos atadas estão para dar aos seus pés, senhor Padre, a força para caminhar e com as suas mãos poder abraçar e comunicar o grande amor que Jesus continua a dar a partir do lado aberto sobre a Cruz»! Teologia tão profunda e eloquente sobre a cruz e sobre o sofrimento, mas do que aquela que me disse naquele instante aquela doente, nunca estudei nem no Seminário nem na Universidade. É uma lição de fé viva!

            Meus filhos e minhas filhas, olhemos para Cruz, este instrumento que Deus escolher para nos salvar, este instrumento que é sinal de amor e de misericórdia de Deus. E fixando os olhos sobre a Cruz de Jesus e sobre as cruzes dos homens e mulheres sofredores de ontem e de hoje, que bom seria confirmar também com a nossa própria vida as palavras do cantor que dizia: «Nenhuma selva produziu uma árvore igual a esta, pela beleza das suas flores e dos seus frutos». Assim seja!

           

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            HOMILIA DA ABERTURA DA IGREJA DE FÁTIMA
 

1.         “ Este é o dia consagrado ao Senhor, vosso Deus. Não vos aflijais nem choreis … que a alegria do Senhor é a vossa força”. Ainda continuam a ressoar nos nossos ouvidos e nos corações as palavras de consolação e conforto que o jovem sacerdote Esdras dirigiu ao povo de Deus reunido para escutar o “Livro da Lei de Moisés”.

Era, de facto, um dia consagrado ao Senhor; tratava-se da festa da lua nova e início do “mês santo”, em que se celebravam o grande dia da expiação, a festa dos Tabernáculos, que acarretava consigo o repouso sabático. As festas do Senhor são sempre um convite a alegria; elas recordam-nos os grandes benefícios de Deus, re-lembram-nos aquela amizade de Deus, que se compraz em ver os seus filhos à volta do seu altar. As festas do Senhor fazem-nos suspender os nossos trabalhos da terra para um repouso que preanuncia aquele celeste; elas unem-nos ao santo e profundo agradecimento.

            O dia de festa é força do povo, ou seja, recorda ao povo de Deus que não está sozinho, que existe um Deus Omnipontente, um Pai que o acompanha, protege, um Deus que é Emanuel. E um povo que vive desta certeza, encontra o segredo para vencer as duras batalhas da vida, porque sabe que a sua esperança está nas mãos de Deus, presente e peregrino com o seu povo.

 

2.         “ Este é o dia consagrado ao Senhor, vosso Deus”. Também são para nós estas palavras, de modo particular para aqueles que frequentarão com assiduidade esta cada de Deus que hoje é benzida.

            Depois de quase 6 meses fechada por causa das obras de restauro, hoje a Igreja, dedicada à Nossa Senhora de Fátima, abre de novo as suas portas para o “culto devido ao nosso Deus”; e Deus, como outrora caminhou com o seu povo no deserto, na nuvem e na tenda, marcará a sua presença neste Templo, fazendo dele o lugar privilegiado de encontro com o seu povo, o lugar de oração, o lugar onde os seus filhos serão agraciados com a sua bênção e protecção.

A Igreja é a casa de Deus, como escutamos da boca de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao expulsar os vendedores do templo. Por isso mesmo, ela antes de abrir as suas portas ao público deve ser benzida, se é já dedicada a Deus.

 

3.         Uma Igreja num determinado lugar é sinal da presença de Deus. Na Igreja está presente Deus, e, portanto, a nossa primeira atitude quando entrarmos nela será aquela de respeito, de veneração; de criar à nossa volta, para nós e para os outros, um ambiente propício de oração, de diálogo filial com o Pai celeste, implorando as suas graças.

            Jesus reprovou violenta e severamente aqueles que faziam da casa do seu Pai um lugar de comércio e antro de ladrões. Devemos cuidar e velar pela casa de Deus, e não deixar que se estraguem as coisas que harmoniosamente foram combinadas e arranjadas. Que cada um de vós cuide deste templo como se fosse sua casa.

 

4.         A reforma religiosa e moral que escutamos na primeira leitura, foi levada a bom ermo graças ao empenho e dedicação de Neemias. Quem foi este homem? Diz-nos a Escritura Sagrada que foi o governador do povo judeu repatriado na Judeia, então província da Pérsia. Com ele se começava a se tornar concreto o édito do Rei Siro que prometeu a reconstrução do templo de Deus em Jerusalém. Neemias era um homem de sentimentos nobres e também enérgico e, para a almejada reforma religiosa, moral e social, serviu-se do jovem sacerdote Esdras, de uma reputação íntegra e versado em Escrituras sagradas.

            Hoje estamos a inaugurar um templo, restaurado, artística e esteticamente bem ornado. A beleza desta Igreja teria custado um soma de dinheiros avultada, custeada pelo governo central, que, procurando pôr sem realce e em prática o previsto na própria Lei Constitucional sobre a liberdade de consciência, de crença e de culto, vai criando e proporcionando meios e condições para que o povo angolano professe a sua fé religiosa. Este é, também o verdadeiro sentido da laicidade do estado.

 

4.            Excelência Senhor, Vice – Ministro Sr. Dr. Abraão Gorgel queira fazer chegar a Sua Excelência Senhor Presidente da República a nossa eterna gratidão por este gesto carinhoso e nobre; e como bom cristãos, continuamos a rezar por ele(cf. 1Pd 2, 13-17) para que continue a exercer as suas funções no respeito pelo homem, pela sua dignidade e pelos seus direitos, entre os quais está o de favorecer a liberdade religiosa, consagrada na Lei Constitucional, procurando e defendendo sempre o bem comum de todos.

A nossa gratidão vai também para o gabinete técnico no Uíje, sabiamente coordenado por Vós, Excelência Sr. Dr. Abraão Gorgel. Fazendo as minhas visitas pastorais pude ver o grande trabalho de reconstrução que tem vindo a fazer em toda a Província. Que o Bom Deus continue abençoar-vos.

Aos nossos governantes provinciais e também do município vai a nossa gratidão por tudo e continuemos a trabalhar juntos para o bem do nosso povo. Estou certo de que cientes que da nossa aproximação, da nossa sã colaboração e do nosso diálogo franco e aberto, com que nos cumpre tratar os assuntos comuns, quem sairá a beneficiar é o nosso povo que enaltecerá, por seu lado, a perspicácia, a atenção, o amor e a preocupação dos seus dirigentes.

 

Para terminar quereria confiar cada um de vós: homens, mulheres, crianças, jovens e velhos, Àquela que Nosso Senhor Jesus tivera confiado ao discípulo amado João, em representação de todos nós, como Mãe, «mulher, eis o teu filho» (Jo 19, 26). Ela, Virgem Maria, que sempre acompanhou a Igreja desde os seus alvores, vos ensine a fazer só e unicamente a vontade de Deus, porque do seu cumprimento fiel virá, com toda a certeza, para cada um de vós a salvação. Maria, “Mãe de Deus e nossa Mãe”, vos faça crescer e prosperar na fé em Jesus Cristo e no amor à Sua Igreja; Maria, “Mãe dos caminhantes” vos livre de todos os perigos espirituais e também físicos, de todas as tentações e firme os vossos passos no caminho que leva aos Céus! Assim seja!

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Homilia do dia Nacional da Rádio
(05 de Outubro de 2007)
 

Excelentíssimo Sr. Director da Rádio,
Caríssimos profissionais da comunicação e técnicos da nossa Rádio da Província do Uije,

1. Marcamos a festividade do dia Nacional da Rádio de modo ímpar no universo das festividades a decorrer nas outras Províncias: pedindo a Deus em primeiro lugar a sua bênção por cada um de vós, técnicos, operadores, jornalistas e demais dependentes da nossa Rádio Provincial dos Uije, implorando a bênção também para as vossas famílias. Em segundo lugar, nesta celebração Eucarística, queremos encomendar nas Mãos de Deus, Senhor da Vida, os vossos colegas defuntos, na esperança de um dia nos encontrarmos com eles no Reino de Deus. A Igreja quer associar-se à vossa alegria, ao vosso dia, não só por causa da nobre missão que tendes vindo a prestar aos habitantes da nossa Província, mas também porque ela não é indiferente a esta grande realidade dos meios de comunicação social, de modo particular a Rádio. Quem pode, na verdade, mensurar a influência que estes meios modernos podem exercer sobre a opinião pública, orientando seus valores e condicionando suas escolhas, graças à sua difusão capilar, a técnicas cada dia mais aperfeiçoadas, aos tempos de uso sempre mais prolongados? Não pode, portanto, causar espanto o facto de a Igreja acompanhar com interesse os progressos de um fenómeno cultural de tão grande monta, e de não se cansar de chamar, com materna solicitude, quem é protagonista ou participante, à consciência das próprias responsabilidades. A abordagem da Igreja aos meios de comunicação social é fundamentalmente positiva e encorajadora. Ela não se limita simplesmente a julgar e condenar; pelo contrário, considera que estes instrumentos são não só produtos do génio humano, mas também grandes dádivas de Deus e verdadeiros sinais dos tempos (cf. Inter mirifica, 1; Evangelii nuntiandi, 45; Redemptoris missio, 37). 2. Como mensagem, gostaria de apontar-vos, indicar-vos como modelo a imitar na vossa nobre tarefa: Jesus Cristo, o Filho de Deus. «Durante a sua permanência na terra, Cristo manifestou-se como perfeito comunicador. Pela "Encarnação", fez-se semelhante àqueles que haviam de receber a sua mensagem; mensagem que comunicava com a palavra e com a vida. Não falava como que "de fora", mas "de dentro", a partir do seu povo; anunciava-lhe a palavra de Deus, com coragem e sem compromissos; e no entanto adaptava-se à sua linguagem e mentalidade, encarnado como estava na situação a partir da qual falava » (Communio et progressio, 11). Ao longo da vida pública de Jesus, as multidões aglomeravam-se para ouvi-lo pregar e ensinar (cf. Mt 8,1 e 18; cf. Mc 2,2; 4,1; Lc 5,1; etc.) e Ele ensinou-os « como alguém que tem autoridade » (Mt 7,29; cf. Mc 1,22; Lc 4,32). Falou-lhes acerca do Pai e ao mesmo tempo referiu-se-lhes, explicando: « Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida » (Jo 14,6) e « Quem me vê, vê o Pai » (Jo 14,9). Não perdia tempo em discursos inúteis ou em defender-se, nem sequer quando foi acusado e condenado (cf. Mt 26,63; 27,12-14; cf. Mc 15,5; 15,61). Pois o seu « alimento » consistia em fazer a vontade do Pai que O enviou (cf. Jo 4,34) e tudo o que Ele fazia e falava era pronunciado e feito com referência a isso. Com frequência, Jesus na sua comunicação servia-se de parábolas e histórias vívidas, expressando verdades profundas com termos simples e quotidianos. Não só as suas palavras, mas também as suas obras, especialmente os seus milagres, eram actos de comunicação, que indicavam a sua identidade e manifestavam o poder de Deus (cf. Evangelii nuntiandi, 12). Nas suas comunicações, demonstrava respeito pelos seus ouvintes, simpatia pela sua condição e necessidades, compaixão pelos seus sofrimentos (cf., por exemplo, Lc 7,13), e determinação decidida em dizer-lhes o que eles precisavam de ouvir, de maneira a chamar a sua atenção e a ajudá-los a receber a sua mensagem, sem coerção nem compromisso, sem decepção nem manipulação. Ele convidava os outros a abrirem a própria mente e coração, consciente de que este era o modo de os atrair a Ele e ao seu Pai (cf., por exemplo, Jo 3,1-15; 4,7-26). Ele era totalmente cândido, um homem de quem se podia dizer que «nenhuma mentira foi encontrada na sua boca»; além disso: «Quando era insultado, não insultava; ao sofrer, não ameaçava. Antes, depositava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça» (1 Pd 2,22-23). Insistia sobre a pureza e a verdade nos outros, enquanto condenava a hipocrisia e a desonestidade — qualquer tipo de comunicação que fosse tendenciosa e perversa: «Dizei apenas "sim", quando é "sim"; e "não", quando é "não". O que disserdes além disso, vem do Maligno» (Mt 5,37). Jesus, portanto, é o modelo e o paradigma da nossa comunicação e de modo particular daqueles que estão comprometidos na comunicação social, quer como responsáveis pelas políticas, como comunicadores profissionais, como receptores, quer em qualquer outra função, a conclusão é óbvia, como diz a Sagrada Escritura: «cada um diga a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros... Que nenhuma palavra inconveniente saia da vossa boca; ao contrário, se for necessário, dizei uma boa palavra, que seja capaz de edificar e fazer o bem aos que vos ouvem» (Ef 4,25.29). 3. Para terminar, gostaria de recordar-vos que os mass media, incluindo a Rádio, são chamados ao serviço da dignidade humana, ajudando os indivíduos a viverem bem e a agirem como pessoas em comunidade. Os mass media fazem-no, encorajando os homens e as mulheres a estarem conscientes da própria dignidade, a entrarem nos pensamentos e nos sentimentos dos outros, a cultivarem um sentido de responsabilidade recíproca e a crescerem na liberdade pessoal, no respeito pela liberdade do próximo e na capacidade de dialogar. Isto implica necessariamente que se evite a tentação e o perigo de usar os mass media para obstruir e prejudicar o bem integral das pessoas: alienando os indivíduos ou marginalizando-os e isolando-os; atraindo-os para comunidades perversas, organizadas à volta de valores falsos e destruidores; fomentando a hostilidade e o conflito, exorcizando os outros e criando uma mentalidade de « nós » contra « eles »; apresentando o que é vil e degradante numa luz fascinante, e ao mesmo tempo ignorando ou menosprezando aquilo que exalta e enobrece; difundindo informações erróneas e desinformação; promovendo a trivialidade e a banalização. Caríssimos irmãos e irmãs, a vossa tarefa é nobre, é aquela de unir as pessoas e de enriquecer as suas vidas. Esta grande potencialidade que está nas vossas mãos, se for usada de maneira correcta estareis a contribuir «para criar e manter uma comunidade humana baseada na justiça e na caridade e, na medida em que o fizerdes, vos tornais sinais de esperança» (Papa João Paulo II, Mensagem para o XXXII Dia Mundial das Comunicações, 1998, n. 4). O serviço à pessoa humana, a edificação da comunidade humana assente na solidariedade, na justiça e no amor, e o anúncio da verdade acerca da vida humana e da sua derradeira realização em Deus estavam, estão e permanecerão no cerne da ética dos verdadeiros profissionais da comunicação social. Que o Bom Deus, Pai de todo o género humano, abençoe cada um de vós e as vossa famílias e continue a confirmar o trabalho das vossas mãos + Emílio Sumbelelo, Bispo da Diocese do Uíje ***************** ********************* +++++++++++++ Homilia da Ordenação Sacerdotal 1. A nossa vida é uma viagem no mar da história, com frequentes nevoeiros e tempestades, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota certa; e durante a travessia, Deus, na Sua infinita Bondade, vai proporcionando aos seus filhos momentos e tempos propícios para fazerem frente às intempéries da caminhada. Dentre esses tempos, está o da Quaresma, que a Liturgia chama de “tempo favorável, tempo da salvação” (2 Cor.6,2). A liturgia da Palavra deste primeiro domingo da Quaresma resume-se em três expressões chave: “a tentação”, “o combate espiritual” e a “derrota do tentador”. Tais expressões são a lição principal do Evangelho hodierno e servem de farol a guiar os nossos passos durante todo o tempo quaresmal. O Evangelho diz-nos que Jesus, o Filho de Deus, foi tentado no deserto; e, a diferença de Adão no Éden e do povo de Israel no deserto, Jesus venceu o tentador. 2. A 1ª leitura sublinha, de modo especial, a “centralidade do homem”, do ser humano dentro do contexto da criação. Diz o autor sagrado “Deus formou o homem do pó da terra e insuflou nele o espírito de vida”; toda a criação está em função do homem e lhe serve de cenário. Esta centralidade é expressa, de modo eloquente, quando Deus conduz o homem para que dê “nome a todos os animais do campo e as aves do céu”. Apesar desta situação de privilégio no jardim de Éden, dá-se infelizmente um acontecimento dramático, com consequências muito graves: o homem, tentado pela serpente – símbolo do diabo -, quer decidir por si mesmo “o que é bom e o que é mal”, prerrogativa que corresponde unicamente a Deus, pois, o homem, não obstante a sua dignidade, continua a ser uma criatura dependente de Deus. O texto bíblico apresenta a natureza da tentação como algo de “atractivo”: «o fruto da árvore era bom para comer e agradável à vista». Contudo, tal tentação esconde uma mentira: “sereis como deuses”. O tentador não convida directamente o homem a fazer o mal, isto saltaria à vista. Ele finge em indicar-nos aquilo que é melhor e abandonar as ilusões aplicando as nossas forças para melhorar o mundo. O tentador apresenta-se como aquele que está interessado com o verdadeiro realismo. É real tudo aquilo que se constata: o poder e o pão. O diabo propõe-nos a decidir-se por aquilo que é racional, pela prioridade de um mundo planificado e organizado, onde Deus, como questão privada, pode ter o seu lugar, mas não deve interferir nos nossos propósitos essenciais. O tentador não dorme, não está sossegado, usa a nossa linguagem bíblica e teológica para nos tentar. Cintando Vladimir Solovév, o Papa na sua obra Gesù di Nazareth, escreve: «o Tentador, o anti-cristo recebe a laurea honoris causa em teologia na Universidade de Tubinga; é um grande esperto em Bíblia» (pg.58). 3. As consequências da queda dos nossos primeiros Pais são dramáticas: entra o pecado e a morte no mundo. O homem apercebe-se da sua nudez, sente-se incapaz de dominar as suas tendências desordenadas. O homem caiu num profundo abismo. Só Deus o poderá salvar, tirando-o do lamaçal em que se encontra. Em Jesus Cristo, Seu único Filho, Deus estende ao homem a Sua mão de perdão e de misericórdia. Jesus ensina-nos hoje como vencer o tentador e as suas ciladas. Na luta contra Satanás, Jesus sai vencedor: à mentira do poder divinizado e do bem-estar, à falsa promessa de um futuro que garante tudo a todos mediante o poder e a economia, Jesus rebate apresentando a verdade sobre Deus, como bem absoluto do homem. Ao convite de adorar o poder, Jesus responde indicando-nos o mandamento fundamental de todo o cristão e de todos os tempos: deve-se adorar só a Deus! 4. Caríssimos irmãos e irmãs, no nosso peregrinar sobre a terra somos sempre tentados e a vitória vem-nos da nossa adesão fiel a Cristo, que nos “amou até ao extremo”; e Ele quer que amemos também os outros. Tal amor deve ser manifestado com gestos concretos. Para este ano, na sua mensagem para a ocasião da Quaresma, o Santo Padre chama-nos a atenção para a “prática da esmola, que representa um forma concreta de socorrer quem se encontra em necessidade e, ao mesmo tempo, uma prática ascética para se libertar da afeição dos bens terrenos” (n.1). Meus irmãos, a esmola educa para a generosidade do amor, e de entre os frutos específicos desta prática, está aquele do “perdão dos pecados”, como no-lo diz o apóstolo São Pedro: “a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Ped 4, 8). Deus oferece-nos, a nós a possibilidade de sermos perdoados, porquanto, “a esmola, aproximando-nos dos outros, aproxima-nos também de Deus e pode tornar-se instrumento de autêntica conversão e reconciliação com Ele e com os irmãos” (n.1). Que grande treino espiritual temos! 5. Caríssimos irmãos e irmãs, o Senhor da Messe, escutando as nossas humildes preces que lhe temos dirigido todos os dias, sobretudo nas nossas adorações aos domingos pelas vocações, hoje dá-nos, em resposta, mais um obreiro, dá à Sua Igreja do Uíje mais um presbítero. É com o coração agradecido e alegre que celebramos mais este dom da ordenação sacerdotal de um filho da nossa terra. Caríssimo diácono Abílio daqui há pouco serás sacerdote e já não te chamarão “mano Abílio”, mas Sr. Padre Abílio. Com a imposição das mãos e a oração da Ordenação tornar-te-ás sacerdote do Deus Altíssimo, tua missão será aquele se ser aponte que liga os homens a Deus. Portanto, ser sacerdote significa ser de Cristo para sempre e todo inteirinho, estar a tempo pleno, ao serviço do Povo de Deus, nos momentos alegres e também tristes. Antes de chegar o tão desejado momento, quero recordar-te o seguinte: o padre é o homem de oração; o padre é o homem intrinsecamente ligado à eucaristia; o padre é o pai espiritual da comunidade. Como homem de oração, na intimidade com Deus encontrarás a força e a alavanca para o teu ministério sacerdotal. Deves cultivar o espírito de oração por duas razões: por causa da tua própria perseverança e fidelidade a Deus; e por causa da necessidade de assegurar ao próprio ministério a bênção de Deus. Como sacerdotes estarás entregue para a salvação dos teus irmãos; não obstante a grandeza da vocação, somos sempre fracos, imperfeitos e não poucas vezes sacudidos pelas tentações. Se queres perseverar no bem e na vocação sacerdotal, dilecto filho entrega-te à oração, aferra-te à oração. A tua oração será útil e ajudar-te-á não só a alcançar a bênção de Deus no teu apostolado, como também dela se beneficiarão as ovelhas que o Bispo te vai confiar. Outro aspecto, não menos importante, na vida do padre, é aquela de estar ligado à Eucaristia. O padre é o ministro da Eucaristia e para a Eucaristia. Cristo confiou-se totalmente às nossas mãos ungidas, fazendo-se alimento, em primeiro lugar para nós e depois para os outros. Por isso, o sacerdote nunca deve passar, sem motivação válida, dias a fio sem celebrar a eucaristia, sobretudo aos domingos, dia da nossa Páscoa semanal. Celebra as Missas com devoção, “como se fosse a primeira missa na tua vida, a única missa no mundo e a última da tua vida”. A existência do padre, como ministro de Deus, deve ser toda orientada para a Eucaristia, qual sol luminoso e centro da nossa jornada, focolar do qual nasce a luz, o fervor e alegria sobrenaturais. Qual importante é a Eucaristia na nossa vida; e como tal deve ser “sancta sancte tractanda”. E, por fim, chamo-te a atenção a dimensão de Pai e Pastor da comunidade: deverá servir e conduzir com amor e fortaleza a comunidade que o Bispo te confia, qual pastor próprio daquele rebanho. Deves, a exemplo de Jesus Cristo, o Bom Pastor, reunir com amor e dedicação, em nome do Bispo, a família de Deus e conduzi-la até Deus por Cristo no Espírito Santo, anunciando oportuna e inoportunamente o Evangelho e celebrando o culto divino devotamente. A tua presença no seio da comunidade deve ser sempre a de um homem de Igreja, homem de Deus, cuja vocação é aquela de congregar todos numa só família. Tenha muita atenção, a dimensão comunitário do cuidado pastoral não te pode levar descuidar das necessidades do fiel concreto, imitando Jesus, o Bom Pastor que “chama as suas ovelhas uma por uma” com aquela voz que elas bem conhecem (Jo 10, 3-4). Daqui nascerá o teu primeiro cânone da pastoral individual: o conhecimento e a relação de amizade com as pessoas. Na tua relação com cada pessoa e com a comunidade, esforça-te por tratar a todos com “exímia humanidade”, nunca mas nunca te deves expor ao serviço de uma ideologia política ou de uma fracção partidária; trata as pessoas não “segundo o beneplácito dos homens, mas em conformidade com as exigências da doutrina e da vida cristã”. 6. Termino, dirigindo-me a vós, Santo Povo de Deus, regando-vos: rezai todos os dias pelo neo-sacerdote e também pelos já sacerdotes, ajudai-os, com a vossa oração, a serem fiéis aos compromissos que eles assumiram diante de Deus. Não faleis mal nem critiqueis impiedosamente os vossos padres. Lembrai-vos, quem fala mal dos sacerdotes de Cristo, fala mal da sua Igreja e do próprio Cristo. Estes são os sacerdotes que Deus, neste momento histórico, vos concede. Estimai-os. Olhai, por detrás dos aspectos ordinários destes homens está a potência divina: o sacerdote fala e Jesus desce sobre o altar para ser imolado; o penitente, esmagado pelo peso dos seus pecados, ajoelha-se diante dele, e ele, em nome de Deus, pronuncia: “vai em paz”! E o pecador levanta-se perdoado, justificado e iluminado pela graça de Deus. Por meio dos vossos padres, Jesus continua a santificar-vos e a acompanhar-vos com as suas graças e dons. Eles merecem, como representantes de Cristo, todo o vosso carinho e a vossa oração, o vosso respeito e a vossa estima. Continuemos, então, com a nossa celebração pedindo a Deus que derrame a Sua bênção sobre o nosso candidato escolhido para a ordem dos Presbíteros. Sé Catedral, 10 de Fevereiro de 2008 HOMILIA, Dia 29 de Março de 2008 (Renovação dos votos) 1. O dom da fé estende-se a todos os povos: todos são chamados à Fé pela pregação do Evangelho, e cada celebração da Páscoa, e do tempo pascal, é um empenho, para a Igreja, de difundir este dom.

            Neste 7º dia da oitava da Páscoa, a liturgia da Palavra apresenta-nos e propõe-nos a imitar a coragem e alegria, a responsabilidade e a consciência do dever de ser, oportuna e inoportunamente, mensageiro do Ressuscitado; cientes de que só em Jesus Cristo, o homem pode encontrar o dom da salvação.
 
2.         A 1ª leitura coloca-nos diante da dupla reacção do Sinédrio: por um lado, a admiração e o espanto de alguns seus membros ao notarem a franqueza e a profundidade da sabedoria de Pedro e de João, fruto da acção do Espírito Santo (Act.4,8), tidos como iletrados nas Escrituras e plebeus. Por outro lado, a incapacidade de se opor a um facto real e concreto: “o homem curado pelos apóstolos está de pé ao lado dos discípulos e diante deles”. As autoridades judaicas não o podem negar nem dar uma explicação do facto. Realiza-se assim a promessa de Jesus: «Eu próprio vos darei palavras de sabedoria, a que não poderão resistir ou contradizer os vossos adversários» (Lc21, 15).
            Depois da consulta à porta fechada, sem a presença dos apóstolos, o Sinédrio decide impor a proibição absoluta aos apóstolos de falarem em “nome de Jesus”. A resposta mansa mas decidida de Pedro e João não se fez esperar: «julgai vós mesmos se é justo, diante de Deus, obedecer-vos a vós primeiro do que a Deus. Quanto a nós, não podemos deixar de proclamar publicamente o que vimos e ouvimos».
            Pedro e João sentem dentro de si uma convicção inamovível que mudou radicalmente as suas vidas de homens fracos e tímidos em intrépidas testemunhas do Ressuscitado. De facto, quem pode falar melhor de Cristo, senão aquele que experimentou a Sua graça? Pedro e João sabiam que tinham uma missão e desta dependia a salvação de todos os homens: só em Cristo o homem pode se salvar. Como, então, poderiam calar-se? São coisas que eles tinham “visto, ouvido e tocado”, como dirá mais tarde S. João: «o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que tocamos com as nossas mãos (…), isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco» (1 Jo, 1.1 3). São, portanto, testemunhas de primeira mão. Calando-se quem o faria?
 
3.         O Evangelho de hoje termina com o mandato de Jesus Ressuscitado: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda a criatura». Jesus envia em missão, como mensageiros, os seus apóstolos. Positivamente ordena-lhes a espalancar as fronteiras de Israel: a missão é todo o mundo; a meta é todo o homem, a ponto de atingir a profundidade do coração de cada homem. A tarefa será aquela de “anunciar o Evangelho” que é “força de Deus para a salvação de todo o crente” (Rom 1, 14.16).
            Tal tarefa consistirá em continuar aquilo que Jesus iniciou com o seu ministério público na Galileia (Mc 1, 14.15). Os apóstolos devem anunciar com autoridade participativa de Jesus Cristo, a Sua mensagem, cujo resumo é: o mistério de Cristo, que veio ao mundo, morreu e ressuscitou para a salvação de todos (Mc 10, 45).
 
4.         Estes textos ricos em conteúdos e convidativos para a nossa consciência de testemunhas do Ressuscitado, vêm a propósito do evento que celebramos nesta eucaristia: a renovação dos votos das nossas irmãs. Irmãs vocacionadas a serem Mensageiras de Cristo, isto é, testemunhas do Ressuscitado, seguindo as pegadas de Jesus, dos Apóstolos e da Virgem Maria Santíssima.
            Este é o memento de acção de graças, momento de oração e momento de reflexão para toda a família da Irmãs Mensageiras de Cristo.
1)     É momento de acção de graças a Deus pela renovação do sim destas irmãs. O ano passado a esta altura tinham renovado cinco e hoje ficaram três. Duas se foram, separando-se da família. O próprio Senhor que chama e elege vai purificando a sua Igreja. Estas são o fruto maduro de uma escolha e opção de vida.
 
2)     De oração. A perseverança na vocação é uma graça de Deus. Não depende unicamente das nossas forças e vontades. Tal graça, devemos implorar de joelho a Deus, todos os dias, para todas e de modo particular por cada uma destas irmãs.
 
3)     É o momento de reflexão para a família das Irmãs Mensageiras de Cristo.
Cada uma de vós, diante do Santíssimo, se coloque sempre esta pergunta: “o que queremos ser na Igreja?”. As vossas Constituições contêm a resposta, bela que espelha o espírito dos fundadores: “queremos imitar Jesus, Enviado e Mensageiro do Pai, como enviadas e mensageiras do mesmo Cristo, obedientes à sua palavra e mensageiras dela, com palavras e obras, em toda a nossa vida, para a salvação dos nossos irmãos” (art.3). Na verdade é o que fizeram os apóstolos e os discípulos do Senhor Ressuscitado, e é o que faz a Igreja de Cristo.
 
Se de facto quereis ser verdadeiras Mensageiras de Cristo e fiéis a Ele e a Sua Igreja, recordai-vos sempre disso:
 
a.        Longe de vós a inveja. Ela é como um vírus, a olho nú parece inofensivo e se reveste de roupagem falsa; mas quando penetra no coração da pessoa, destrói tudo, incluindo a vida comunitária, para não falar de famílias religiosas. A Igreja recorda-nos que a vida comunitária «A vida fraterna é própria a cada um dos instituto, pela qual todos os membros se unem em Cristo como numa família peculiar». Esta vida fraterna tem como fonte a vocação comum: trata-se de pessoas reunidas em Cristo. É Cristo quem as une e as torna firmes na unidade e deste modo os membros dos institutos chamam-se irmãs. Sendo todas irmãs formam, portanto uma comunidade peculiar, onde todas se amam como verdadeiras irmãs em Cristo.
 
b.        Amai verdadeiramente a Cristo. Como dizem as vossas Constituições, amar a Cristo com um amor apaixonado. Quem ama a Cristo, ama também verdadeira e apaixonadamente a Sua Igreja e, por ela se sacrifica, se for o caso, dá a vida pela Igreja de Cristo. Quem ama a Igreja, ama consequentemente o próprio instituto ou família religiosa. Amai a vossa família religiosa, empenhai-vos pelo seu crescimento vocacional.
c.        Os bens materiais estão ao serviço do homem e não o homem ao serviço dos bens materiais; e nem a salvação da sua alma depende de tais bens materiais. E para vós, a exigência é maior: pelo voto de pobreza a mensageira procura imitar a Cristo que sendo Filho de Deus fez-se pobre, assumindo a nossa natureza humana.
 
            Acautelai-vos com a tentação do dinheiro. Hoje mais do que nunca, tal tentação é maior, e se encontram sempre justificações para violar este voto de pobreza, em detri