Conferência Episcopal de Angola e São Tomé

Nota pastoral ao catequistas

Luanda, 30 de Outubro de 2006
Os Bispos Católicos de Angola

Os Bispos de Angola, reunidos em Assembleia, gostariam de dar uma palavra de ânimo e de orientação aos nossos estimados catequistas.
Os catequistas são embaixadores da Palavra de Deus e de animadores das comunidades em todo o território nacional.

Estamos a acompanhar os trabalhos do registo eleitoral. Por outro lado pensamos que no próximo ano terão lugar as eleições gerais para se escolher o Presidente da República e os membros da Assembleia Nacional.

Temos conhecimento de que muitos catequistas sofrem aliciamentos e até pressão para exercer funções de activista político nalgum partido. Esta prática é totalmente reprovável e incompatível com a função de catequista. O catequista, como qualquer cidadão, tem direito de votar o partido de sua escolha, mas não é um activista político.

Perante este facto muito importante para o futuro do nosso país, queremos dar‑vos algumas orientações ou recomendações:

  1. A democracia é o governo do povo pelo próprio povo. A democracia aprende-se. Por isso, é preciso um esforço sério de educação para a democracia e a cidadania. Nestes tempos fala-se muito de “educação cívica”. A democracia é o livre exercício da cidadania.
  2. Para o bom funcionamento da democracia é muito importante o registo eleitoral. Reconhecemos com gosto o esforço do Governo na formação dos “brigadistas”. Um bom registo eleitoral é garantia de umas eleições livres e justas. Recomendamos aos catequistas a sua valiosa colaboração no registo de todos os que têm direito do voto.
  3. São muitos os cidadãos que desconfiam das eleições. Dizem que é melhor não votar para não voltar à guerra. O melhor modo de evitar a guerra é que haja eleições livres, justas e transparentes. Neste momento é importante que todos participem.
  4. O voto deve ser livre. Pedimos aos catequistas que façam todo o possível para colaborarem na criação do ambiente de liberdade e de transparência. A educação para o voto livre, justo e transparente é uma boa garantia de bom futuro para o nosso país.
  5. Os lugares de culto devem ser completamente apartidários, não podendo servir para neles se fazer qualquer propaganda política.

Finalmente, nós, Bispos de Angola, encorajamos o Governo, as forças político‑partidárias e toda a população a envidar todos os esforços para o fortalecimento da paz na justiça e no amor.