Conferência Episcopal de Angola e São Tomé

Idependencia de Angola 35 anos

1. Aproxima-se o dia 11 de Novembro, em que nós, angolanos, vamos celebrar o 35º aniversário da Independência Nacional. Foram sete lustros de história, em que nós mesmos assumimos, como Nação, a responsabilidade do nosso destino.
Destes 35 anos, 27 decorreram em clima de guerra e oito decorreram em clima de Paz. No período de guerra, muitas feridas se abriram no coração dos angolanos, as quais, felizmente, têm vindo a cicatrizar. Rogamos ao Senhor que esta cura seja completa sem qualquer perigo de recaída alguma.
O efeito da guerra era duplamente negativo: por um lado, desfazia o que estava feito; por outro lado, não deixava refazer o que estava desfeito.
2. Saudamos com regozijo os progressos que se registaram nestes oito anos da paz: as vias de comunicação, de per si vitais para o progresso, reconheceram um avanço que honra a governação e facilita a vida dos cidadãos. Sobretudo, a ligação das periferias com a Capital do País conheceu um avanço inegável.
Com não menor regozijo, saudamos as escolas criadas nos centros municipais e comunais do País, bem como as estruturas sanitárias.
3. Porém, reconhecemos que urge avançar mais. Não somente as escolas, mas também os serviços primários de saúde têm que entrar nas nossas aldeias, de forma que qualquer doente ou mesmo parturiente possa ter o devido atendimento.
A água potável é um bem precioso e essencial, a que todo o cidadão deve ter acesso fácil. E hoje, outro tanto se deve dizer da energia e da habitação, sem o que um povo vive marginado da civilização actual.
Por sua vez, as vias de comunicação chamadas terciárias reclamam um tratamento que as torne convenientemente utilizáveis. Só assim poderemos evitar a disparidade de condições de vida entre os nossos concidadãos e entre as assimetrias que os discriminam.
4. No sector social, de modo particular na educação, seria fechar os olhos à verdade não reconhecer o contributo da Igreja. Obstaculizá-la, agora, na continuação deste seu mister, seria privar o país do melhor contributo que parceiro algum lhe pode proporcionar, como afirmou, ainda não há muito, um qualificado membro do Governo. Por isso, ajudar a Igreja a reconstruir suas escolas e suas estruturas sanitárias não é privilegiá-la, é ajudá-la a colaborar melhor no desenvolvimento do País.
5. Preocupa-nos, sobremaneira, a insegurança que ameaça a vida humana, como a fome, a violência e os acidentes principalmente estradais. Num País como Angola, riquíssimo em recursos alimentares, é imperdoável a fome que ainda aflige irmãos nossos nalgumas regiões. É urgente tomar as necessárias medidas para modificar tão dolorosa situação.
Por sua vez, a violência, sobretudo doméstica, torna-se cada vez mais notícia da comunicação social. Ninguém ignora os malefícios que esta situação provoca na família. Por isso, apelamos a todos os pais que façam dos seus lares a vivência do Reino de Deus, que é “justiça, paz, alegria no Espírito Santo” (Ro 14, 17).
Enfim, os acidentes nas vias rodoviárias vão ceifando vítimas de forma impressionante. Os condutores não devem esquecer que o volante é uma arma cujo manuseio requer sumo cuidado e respeito pela vida. Também aqui, apelamos aos condutores para que defendam a vida, evitando todos os perigos que a podem ameaçar.
6. A defesa do ambiente deixou de ser uma página de mera cultura para se tornar uma tarefa e um dever universais. Destruir o ambiente é tornar a terra inabitável, é acabar com a vida humana sobre a mesma terra. Ao criar o homem, Deus colocou-o no Éden, para “o cultivar, e também para o guardar” (Gen 2, 15). Daqui, a responsabilidade humana em respeitar a natureza sem a degradar com uma exploração irracional, o que infelizmente está a acontecer. Por isso, defendamos e salvaguardemos esta terra que Deus criou e não a delapidemos com uma irracional utilização.
Roguemos ao Senhor porque este novo aniversário da nossa Independência seja um jubiloso ponto de chegada e um auspicioso ponto de partida para mais e melhor na nossa vida nacional.
Que a Virgem Imaculada abençõe estes nossos votos e os torne frutíferos.

Luanda aos 27 de Outubro de 2010.

Os Bispos da CEAST