Conferência Episcopal de Angola e São Tomé

DEFENDAMOS A VIDA

Depois das três mensagens anteriores sobre o direito fundamental à vida (Inviolável direito à vida, de 18 de Novembro de 2011; A Igreja ao serviço da vida, de 02 de Março de 2013, e o recente Comunicado, de 21 de Setembro de 2013), a nossa responsabilidade pastoral, o respeito pela vida, o amor à Pátria e ao nosso Continente Africano, berço da humanidade, obrigam-nos a fazer nossas as palavras de S. Paulo a Timóteo:« Conjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo, que há-de julgar os vivos e os mortos, pela Sua manifestação e pelo Seu reino: proclama a Palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta com toda a paciência e doutrina» (2 Tm 4, 1-2).

Não podemos manter-nos calados perante um problema de tão graves e irreparáveis consequências para a nossa Nação. Seria abdicarmos, não apenas da nossa responsabilidade de pastores, mas até da nossa própria fé em Deus, Autor e Senhor absoluto da vida.

1.      O aborto é contra a Lei Divina

A Sagrada Escritura diz claramente:  «Não matarás» (Dt 5, 17). «A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável à vida. » * . «Antes de te formar no ventre de tua mãe, Eu te escolhi, antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei» (Jer. 1, 5). «Vós conhecíeis já a minha alma e nada do meu ser Vos era oculto, quando secretamente era formado, modelado nas profundidades da terra (Sl. 139, 15).

Isto quer dizer que, desde a fecundação, desde o primeiro instante, estamos diante de uma vida humana independente, com o DNA próprio. Portanto, nenhuma criatura se pode arrogar o direito de suprimi-la sob qualquer pretexto. Por isso, os pais, amigos, educadores e profissionais de saúde, não devem aconselhar nem facilitar o aborto. Pelo contrário, devem encorajar a aceitação da nova vida, independentemente das circunstâncias em que tenha sido concebida.

2 . O aborto é contra a nossa identidade cultural

Como dissemos no nosso último comunicado, ele «constitui um desprezo pelos valores fundamentais da sociedade angolana, na diversidade dos seus povos». Para qualquer angolano, independentemente da sua religião, com ou sem o conhecimento do Evangelho, a vida é sempre sagrada e é o primeiro bem deste mundo. Por isso, qualquer ameaça contra a vida, desestabiliza radicalmente a nossa sociedade.

 

 

3. O aborto é uma ameaça à nossa existência

É por esta razão que dizemos que a eventual despenalização do aborto constituiria um atentado real à segurança nacional e à nossa sobrevivência como povo. De facto, como o afirmam os especialistas da política demográfica, «a procriação determina o futuro das nações».

Conscientes desta verdade, os potentados do mundo procuram a todo o custo ditar e ter o controle da natalidade dos povos, aliciando alguns sectores desatentos da sociedade, sob o pretexto de ajuda para o chamado desenvolvimento sustentável. É nisto que se enquadram, não raras vezes, as chamadas políticas de controle da natalidade, traduzidas eufemisticamente em despenalização do aborto ou em direito de saúde reprodutiva da mulher. É isto que queremos? Faltaríamos à memória histórica e cairíamos numa cumplicidade suicida.

Porque, se enveredarmos pelo caminho do aborto, não teremos capacidade de defender Angola, nem de desenvolvê-la. Viriam outros tomar conta dela.

Será que já esquecemos as tragédias que despovoaram a nossa Pátria querida? Queremos perpetuar a cultura de morte? Ou pretendemos que sejam outros povos a habitar Angola e a desfrutar a abundância dos seus invejáveis e cobiçados recursos?

           Não podemos nem devemos deixar que os outros determinem o nosso destino. As nações que optaram pela política abortiva, chamando-a de conquista das novas liberdades da pessoa humana, já se debatem com o problema de uma população cada vez mais envelhecida, sem perspectiva de rejuvenescimento. Nós já somos muito poucos.

Recordamos a todos que Angola é um país cristão desde há séculos. Por isso, espera-se que o Parlamento, eleito por larga maioria de cristãos e composto maioritariamente por crentes, cumpra o dever de respeitar a vontade dos seus votantes. Por este motivo, repetimos: nenhum cristão consciente da sua fé pode aprovar uma lei contra a vida, nem votar a favor daqueles que defendem a morte de inocentes.

À Virgem Maria, Mamã Maxima, que acolheu com fé Jesus Cristo, Filho de Deus, no seu ventre virginal, pedimos que nos obtenha a sabedoria e a coragem de defender a vida, sobretudo a dos frágeis e indefesos.

Luanda, 30 de Outubro 2013

 

Os Bispos de Angola e S. Tomé