Conferência Episcopal de Angola e São Tomé

ANO PAULINO

 

1. No passado dia 28 de Junho, o Santo Padre abriu solenemente, em Roma, o "Ano Paulino", aproveitando o facto de se estar a celebrar dois mil anos do nascimento desta personagem tão importante na história do cristianismo. Como objectivo para este ano, o Papa apontou o aprofundamento da figura de São Paulo, apóstolo das gentes, de modo a suscitar na Igreja um novo dinamismo evangelizador e ecuménico. Com São Paulo, o Papa convida-nos, uma vez mais, para a MISSÃO e o empenho pela unidade dos cristãos.

 

            2. Somos igualmente convidados a viver este ano como um "ano de graça", um ano onde ressoe, no coração de cada um de nós, o apelo à "conversão", a uma vivência mais radical do evangelho na nossa vida, a um testemunho credível da fé cristã. Para isso, aproveitemos os meios que a Igreja coloca à nossa disposição. Dentre estes, salientamos as indulgências que podemos usufruir. Estas podem conseguir-se visitando, em espírito de oração, uma Igreja dedicada a São Paulo, a Sé Catedral ou outras indicadas pelo Bispo da Diocese. Como condições exige-se a confissão, a comunhão, a recitação do Credo, a oração pelo Santo Padre e a prática da caridade.

 

            3. Nesta linha, lembramos aos fiéis da Igreja Católica de Angola e São Tomé e Príncipe que o “Ano Paulino” é uma soberana oportunidade para avaliar e relançar o Plano Pastoral da CEAST, iniciado em 2005 e a concluir em 2010. O lema que tem norteado este Plano Pastoral foi o “fazer-se ao largo” (Lc. 5,4) da Carta Apostólica “No Início do Novo Milénio”, do saudoso Papa João Paulo II. É um convite ao aprofundamento da nossa fé, que não será possível sem o anúncio gozoso do Mistério pascal de Cristo, morto e ressuscitado. Este anúncio tem de partir de pessoas que fizeram a experiência de um encontro profundo com Cristo, como aconteceu com Paulo de Tarso, tornando-se construtoras de comunidades organizadas sob a lei do Amor.

 

Neste sentido, o “Ano Paulino” deverá ser para todos nós um “lançarmo-nos ao largo” com o Apóstolo das Nações: São Paulo.

 

            4. São Paulo, o comunicador por excelência, leva-nos a dirigir a nossa atenção para os meios de que a CEAST dispõe para o anúncio da Boa Nova. Referimo-nos, em Angola, à Rádio Ecclesia, ao jornal “O Apostolado”, bem como aos Boletins Diocesanos ou Paroquiais; e, em São Tomé e Príncipe, à Rádio Jubilar. Estes meios devem merecer o nosso apoio e divulgação, a fim de serem auto‑sustentáveis e cumprirem os objectivos para que foram criados.

            Há poucos dias, terminou em Roma o Congresso das Rádios Católicas, promovido pela Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. Aí se salientou a extraordinária importância da Rádio na evangelização. Nós, Bispos, somos bem conscientes disso. Por essa razão, queremos reafirmar a nossa solidariedade com a Rádio Ecclesia, a sua Direcção e trabalhadores, reconhecendo, apesar de alguns obstáculos, o seu contributo na obra da evangelização e na afirmação da liberdade e da justiça em Angola. Fazemos votos para que conte sempre com bons profissionais empenhados em servir a verdade, a tolerância, a liberdade, a paz, a VIDA. E esperamos que um dia possa ser ouvida em todos os recantos de Angola.

 

            5. Caminhar um ano com São Paulo, significa fazer uma experiência de vida com o Apóstolo, a sua entrega apaixonada ao Evangelho, o anúncio corajoso dos ideais cristãos da justiça, da caridade, da paz.

            Em Angola, estamos a pouco tempo da realização de eleições legislativas, previstas para o próximo dia 5 de Setembro. É um acontecimento que mereceu a nossa atenção em em mais uma “Mensagem ao Povo de Deus”, pelo grande significado que reveste para a vida do País. São Paulo recorda-nos que é importante que todos saibamos assumir as nossas obrigações como cidadãos (Rm 12, 2-13).

 

Vivemos também, a nível mundial, um tempo marcado pela angústia em relação ao futuro. Continuamos a ouvir falar de guerras, de atentados terroristas, de gente sofrendo vítima da violência, de catástrofes naturais, da fome, de conflitos pós-eleitorais, da xenofobia, etc. A Igreja, em muitos lugares onde estas realidades se têm feito sentir, tem sido uma presença de esperança, de solidariedade na dor, de partilha e alívio. E uma vez mais Cristo tem semeado o seu amor entre os homens através do coração dos seus discípulos! Estes gestos são a afirmação de que, juntos e animados pela nossa fé em Cristo, podemos construir um mundo melhor e erradicar do nosso coração o medo do amanhã. Se todos percebermos no outro um irmão, é possível tornar a PAZ uma realidade no nosso mundo. Trabalhemos todos para que nos nossos países o espírito de solidariedade, de tolerância, de respeito pelo outro, seja cada vez mais uma realidade.

 

            Confiamos as nossas inquietações e esperanças ao Imaculado Coração de Maria, sentindo-nos nele amados e acolhidos como filhos e encontrando assim forças para realizarmos entre nós os projectos de Amor de Jesus Cristo.

 

 

 

Lubango, 4 de Julho de 2008

 

 

Os Bispos de Angola e São Tomé e Príncipe